DEBAIXO DO TAMARINDO
Aos 111 anos de morte de Augusto dos Anjos eis que trazemos
à tona este tema “Morte”, inerente a todo ser vivo, que seria o fim da
existência. Alguns acreditam que o fim é apenas físico e que a alma, a essência
da vida, subsiste, outros não veem a morte como um desfecho inevitável, mas
como um conceito de influência psíquica que nos desafia durante toda a vida.
Qual seria então o sentido da existência?
Augusto dos Anjos lidou e tratou deste tema durante toda a
sua vida; um paradoxo pensar na finitude material, a degeneração, o ciclo vital
concluído pelos vermes, ao lado da inspiração poética de um espírito iluminado.
(Os artistas não morrem, vivem em sua obra.)
Qual seria o “último
número”, cansado no crânio do poeta?
O cabalístico número
1, número ímpar, número místico que inicia e que representa o início, a força
da unidade, o novo, a renovação, e a infinitude? Mais ainda, o número 1 repetido por três?...
triângulo cabalístico, “pirâmide invertida”, o número 111, potencializando toda
a energia celular multiplicada. Os 111 anos de sua morte não significam
ausência, a poesia de Augusto dos Anjos é força de presença, é puro fenômeno
físico, pura reação química, sincretismo átomo-nuclear, é energia
potencializada e materializada em palavras quase ininteligíveis ou inexequíveis
de serem contidas dentro do ritmo e da métrica, impassível no enredo criativo
da expressão poética do artista.
Sim, por tudo isso
eu, particularmente, acredito que a energia cósmica contida em alguns espíritos
com alto grau de desenvolvimento extrapola o plano celestial e sua vibração
energética se manifesta no plano físico, metafísico, sem explicação científica,
fenômenos paranormais.
Há algum tempo, maus
gestores deixaram que uma erva daninha “erva passarinho” infestasse o pé de
tamarindo que sombreia o túmulo do poeta e, caso não tivesse sido por nós
denunciado, certamente teria levado à sua extinção. Antes, porém, desse triste
descaso, uma descarga elétrica já havia incinerado a planta anterior. A semente
era da velha árvore, original da sua terra natal, aquela onde o poeta, quando
jovem, sentava-se sob sua sombra a cismar... para mim este raio foi um cósmico
sinal celestial, manifestado por Zeus, deus dos céus e da tempestade, pai da
deusa ou musa Calíope. Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar...?
“Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos
Necrológios
Gritar nos
noticiários que eu morri,
Voltando à
pátria da
Homogeneidade,
Abraçada com
a própria
Eternidade
A minha sombra há de ficar
aqui! ”
AUGUSTO NÃO MORREU.
VIVA,
AUGUSTO DOS ANJOS!






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